Histórico do Educandário São José do Belém
Em 23 de janeiro de 1909 a Instituição foi fundada pelas Irmãs do Imaculado Coração de Maria como Colégio Nossa Senhora do Rosário, quando as irmãs Rita do Coração de Maria, Prisca do Santíssimo Sacramento e Laurentina do Precioso Sangue instalaram-se no bairro operário do Belenzinho em São Paulo. Na época, elas contaram com o apoio de Dom Duarte Leopoldo e Silva, pastor da então recente criada Arquidiocese de São Paulo.
À medida que a escola foi crescendo em prestígio, também foi crescendo em tamanho. Com o tempo, o modesto prédio de 1909 não dava mais conta adequadamente do grande número de alunos e a instituição foi ampliada, tendo suas instalações chegando até a rua vizinha. Para maior comodidade e segurança dos alunos, a entrada do Educandário São José do Belém mudou-se, então, da movimentada avenida Celso Garcia para a rua Belém.
No dia 17 de maio de 1982, iniciou-se como Obra Social, atendendo crianças e adolescentes da região Belém, tendo em vista o novo contexto socioeconômico da região, com índices crescentes de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente atendemos até 200 crianças e adolescentes no turno inverso da escola e seus familiares no SCFV (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos), desenvolvendo oficinas pedagógicas e atividades em grupo de convivência. Ofertamos ainda o Projeto “Mãos que Constroem Cidadania”, destinado a jovens e adultos, entre 19 e 65 anos, com oficinas de corte, costura, modelagem, conserto de roupas e artesanatos.
PERFIL DA POPULAÇÃO- TERRITÓRIO
O Serviço CCA “Conviver e Aprender” mantido pela Sociedade Educação e Caridade – SEC por meio do Educandário São José do Belém está localizado no bairro do Belenzinho (Distrito do Belém), na região Leste da capital paulista. Segundo dados oficiais, este distrito possui uma área de cerca de 6 km², tem uma população diária de 45.057 pessoas, cerca de 36.994 moradores, domiciliado e possui cerca de 5.625 estabelecimentos entre serviços, comércios e indústrias, conforme dados respectivos de 2000 à 2010 tendo como referência o Centro Regional de Assistência Social – CRAS Mooca (com abrangência para atuar nos bairros: Tatuapé, Mooca, Brás, Pari, Água Rasa e Belém), e participação assídua no CMDCA, COMAS e o FAS órgãos de discussão acerca da política de assistência social da cidade.
O Bairro do Belém já em 1880 era uma região bem conhecida dos paulistanos, devido a sua altitude, ao ar puro, aos vastos pomares e às grandes árvores. Sua fama de estação climática se espalhou graças às enormes chácaras, mansões e solares dos poucos ricos paulistanos. Porém, essa aparente tranquilidade mudou por volta de 1910, com a chegada das primeiras indústrias, primeiramente as fábricas de vidro no Belém e, em seguida algumas tecelagens começaram a se instalar nas imediações. Foi o suficiente para que o progresso chegasse, fazendo com que o número de operários e moradores triplicasse de um ano para o outro.
Um marco importante no bairro é a Vila Maria Zélia, a primeira vila de operários do Brasil, construída entre 1911 a 1916. Idealizada pelo industrial Jorge Luís Street, a Vila era uma continuação da sua indústria, oferecendo condições dignas para cerca de 2100 operários que lá trabalhavam. Existente até hoje, a Vila, atualmente, é um condomínio fechado e abriga cerca de 100 famílias.
O Bairro possui diversas escolas, sendo algumas particulares entre as melhores da cidade, transportes com acesso a várias localidades da cidade, inclusive uma estação de metrô, Belém, uma rede de saúde com postos de saúde e hospitais próximos, rede de supermercados, lojas, farmácias, parque etc.
Embora, o bairro possua todos esses serviços, esse progresso não chegou a toda sua população. O índice de exclusão social na região é altíssimo, pois aqui se encontra um grande contingente de famílias em risco e vulnerabilidade social, habitando em moradias precárias e insalubres, tais como: cortiços e pensões, presentes em boa parte do bairro. Muitos desses moradores possuem renda salarial baixa, tendo que pagar aluguel e ainda sustentar a família, com média de 05 membros cada.
Encontram-se nessa região muitos moradores das periferias da cidade, que veem diariamente ao bairro para trabalhar, principalmente no setor têxtil. Muitos trazem seus filhos, isso quando não os deixam sozinhos nas residências, expostos a riscos diversos.
A falta de políticas mais abrangentes, principalmente no setor de habitação, é outro agravante local. Não diferente de outros locais da cidade, nos quais as ocupações irregulares do solo, mais conhecidas como favelas e atualmente vistas como comunidade. Na comunidade Nelson Cruz, localizada no bairro, habitam diversas famílias que vivem em condições de vida muito precárias, sendo alvos diretas de todo o tipo de riscos e vulnerabilidades sociais.
Outra presença bastante marcante são os estrangeiros, que desde o século XX habitam o bairro. Atualmente, temos várias nacionalidades, muitos são bem sucedidos e donos de vários comércios do entorno, todavia, esse fluxo de imigração também traz algumas particularidades ao bairro. Atualmente, os imigrantes latinos, sobretudo os bolivianos, são em sua maioria absorvidos pela indústria têxtil que os empregam em regime de trabalho bastante precário, muitas vezes, beirando a semi-escravidão, aproveitando-se de sua fragilidade social e econômica, na qual esse grupo se encontra. Para agravar essa situação limite de exclusão social, muitos se encontram irregular no Brasil, não tendo acesso aos direitos mínimos que os nativos têm. Outro contingente de estrangeiro que habita o bairro são os imigrantes oriundos da África. Sujeitos a duplo preconceito, o racial e social. No aspecto econômico, aos imigrantes africanos se encontram em uma situação mais precária do que os latinos, já que esses são absorvidos por uma rede precária de produção, que constantemente é fiscalizada pelo Ministério Público para garantir condições dignas de trabalho. Já os africanos, vivem de pequenos afazeres, “bico”. Nem mesmo a indústria têxtil irregular se interessa por essa população.
RECURSOS HUMANOS COLABORADORES E FUNÇÕES
A unidade Socioassistencial Educandário São José do Belém conta com a equipe Técnica de Direção, Vice direção, Assistente Social, Coordenadora Pedagógica Social, Psicóloga e Educadores. Contamos também com os serviços de apoio: Recursos humano, Contabilidade, Secretária, Recepção, Manutenção e Limpeza, Cozinha e Voluntários.
É dentro desse contexto social se encontra a unidade Socioassistencial Educandário São José do Belém com os Serviços CCA: “Conviver e Aprender”, e o Projeto de Enfrentamento a Pobreza “Mãos que Constroem Cidadania, oferecendo serviços para promoção da vida. Um território paradoxal que ao mesmo tempo ostenta uma população com um poder econômico considerável, mas que também possui uma enorme massa de pessoas sem emprego, com pouca ou nula escolaridade e qualificação profissional.
Estes Serviços Socioassistenciais, além de auxiliar a Instituição a se tornar um apoio para diminuir a exclusão social desta localidade, propicia oportunidades de aprendizado, para haver uma transformação da pessoa e do território, por meio da formação humana e cristã, bem como um convívio harmonioso consigo, com as pessoas, com a natureza e com Deus. Propiciando sempre uma reflexão acerca da realidade e acreditando que uma nova visão de mundo, com oportunidades de aprendizado pode mudar a vida de uma pessoa, de uma família e principalmente de uma comunidade.